A Escolha de Hércules

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Artigo traduzido e adaptado de AoM e Donald Robertson

Xenofonte (430-354 a.C.) foi um antigo historiador grego e estudante do filósofo Sócrates. A sua obra Memorabilia (Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates) é uma coleção dos diálogos de Sócrates que serve de registro da defesa que ele fez de si mesmo durante o seu julgamento diante aos atenienses. Enquanto argumentando contra a indolência e a favor dos efeitos benéficos do trabalho, Sócrates cita a história do sofista Pródico: “A Escolha de Hércules”.

Zenão de Cítio (332-265 a.C. Filósofo considerado o fundador do Estoicismo) foi inspirado a estudar filosofia após ler o segundo livro de Xenofonte. Esse livro na verdade começa com Sócrates contando a estória conhecida como “A Escolha de Hércules” (ou Héracles para os gregos). Antístenes (445-365 a.C. Considerado o fundador do Cinismo), os Cínicos, e os Estoicos aparentemente concordavam todos que Hércules, o maior dos filhos de Zeus, proveu um exemplo ideal da autodisciplina e resiliência necessária para ser um verdadeiro filósofo. A estória simboliza o grande desafio de decidir quem de fato nós queremos ser na vida, que tipo de vida queremos levar, a promessa da filosofia, e a tentação do vício.

Esta estória foi popular durante o século XVIII e foi frequentemente estudada por jovens e    retratada por artistas, o poder dela reside em sua habilidade de transmitir uma verdade profunda: que não pode haver doce sem amargura, nenhum crescimento e nenhuma felicidade verdadeira sem esforço e virtude

A Escolha de Hércules
De Memorabilia
De Xenofonte, 371 a.C.

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Quando Hércules estava naquela parte da juventude em que é natural pensar em qual caminho perseguir na vida, ele um dia se retirou a um deserto, onde o silêncio e a solidão do local favoreceram em muito suas meditações.

Enquanto ele contemplava sua presente condição, e estava perplexo consigo mesmo, sobre a maneira de vida que iria escolher, ele avistou duas mulheres de estatura maior do que o comum, se aproximando dele. Uma delas, uma mulher muito bonita e atraente, era chamada Kakia, embora ela dissesse que seus amigos a chamavam de “Felicidade” (Eudaimonia). Ela saiu correndo à frente para se certificar de que falaria primeiro, prometendo a ele que o seu caminho era “mais fácil e mais prazeroso”, e proveria um “corta caminho” para a “Felicidade”. Ela disse que ele iria evitar o trabalho duro e aproveitar a luxúria além dos sonhos mais selvagens da maioria dos homens, produzido pelo trabalho dos outros. Após ouvir isso, Hércules foi abordado pela segunda deusa, chamada Aretê, uma mulher vestida humildemente e de maneira simples, embora naturalmente bela. Para a surpresa dele, ela disse a ele que seu caminho exigiria que ele trabalhasse duramente e que seria “longo e difícil”.

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De fato o caminho, caso Hércules o escolhesse, seria perigoso além do que é possível se imaginar, ele seria testado por muitas dificuldades, talvez mais do que qualquer homem que já viveu antes dele, e ter que suportar grandes perdas e sofrimento ao longo do caminho. “Nada que seja realmente bom e admirável”, disse Aretê, “é dado pelos deuses aos homens sem um pouco de esforço e aplicação. ” No entanto, Hércules teria a oportunidade de enfrentar cada adversidade com coragem e autodisciplina, e de demonstrar sabedoria e justiça apesar de confrontar um grande perigo. Ele conquistaria a verdadeira Felicidade refletindo sobre seus próprios méritos e feitos honráveis.

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Hércules, é claro, escolheu o caminho de Aretê ou “Virtude” e não foi seduzido por Kakia ou “Vício”. Ele enfrentou perseguição constante, da deusa Hera e seus lacaios, e foi forçado a se submeter aos lendários Doze Trabalhos, incluindo matar a Hidra e no fim, entrar ao Hades, o próprio Submundo, para capturar Cérberus com duas próprias mãos. Ele morreu em grande agonia, envenenado por uma veste banhada no sangue da Hidra. No entanto, Zeus ficou tão impressionado pela sua grandeza de alma que o elevou ao status de deus por direito próprio. É claro, que os Estóicos tomaram isso como um tipo de metáfora para uma boa vida: é melhor enfrentar dificuldades, e se elevar acima delas, e portanto atingir a excelência, do que abraçar uma vida fácil e ociosa, e permitir que sua alma diminua e se deteriore como resultado.

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Esse tipo de estória seria muito benéfica se ensinada nas escolas, educar as nossas crianças a buscar a virtude, o trabalho duro e perseguirem seus sonhos, e não só dinheiro e uma vida fácil. Pessoas criticam aqueles que acreditam em algo, que buscam fazer algo certo, e tentam ser boas pessoas num mundo como esse, e depois se chocam dizendo que o mundo não tem mais jeito e que está indo por água abaixo.

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“Reclamar sem propor uma solução é choramingar” dizia Roosevelt, as pessoas reclamam de tudo, do trabalho, do governo, da crise, do tempo, mas muitas não fazem absolutamente nada a respeito, reclamam que hoje em dia ninguém mais tem valores, e no entanto não buscam viver uma vida virtuosa e dar o exemplo. Nós deveriamos aprender a contemplar as coisas em silêncio, reclamar menos, e fazer mais, buscar aquilo que acreditamos, aceitar as dificuldades e provações da vida e aprender com elas, nos elevar acima delas e batalhar para construir algo realmente valioso, seja alcançar nossos sonhos ou a virtude de uma consciência tranquila.

Hercules

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